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Os espíritas e o esperanto

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Creio que somente aquelas "pequenas" explicações sobre a relação do espiritismo com o esperanto não são suficientes para mostrar como ambos assuntos, ainda que não constituindo uma coisa só, estão intimamente ligados, em especial durante suas caminhadas pelo Brasil. Como você já deve ter percebido, há uma estreita ligação dos espíritas, em especial aqueles que sabem esperanto, também com os ideais pacíficos de Zamenhof, agora não mais se tratando da "idéia interna", mas do sistema filosófico que ele denominou "homaranismo". Essa ligação é muito conveniente, pois serve para mostrar a semelhança entre as duas idéias (espiritismo e homaranismo), as igualdades de objetivos e como uma pode muito bem complementar a outra.

Esperanto e espiritismo (autor: Fernando Porto)

Caros companheiros!

Tendo acompanhado com interesse os diversos assuntos abordados nos boletins e, para minha satisfação, verifiquei o modo como foi tratado o esperanto pelos articulistas, sinal do avanço do idioma neutro nos meios espíritas.

Sou um jovem espírita e esperantista atuante no movimento de unificação dos espíritas pela USE (União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo) aqui na capital paulista, tendo a oportunidade de entrar em contato com o espiritismo desde a tenra infância.

A minha intenção, com essa modesta contribuição, é que fique bem claro para os leigos sobre a língua auxiliar esperanto que este não tem nenhuma relação direta com o espiritismo. Sua função é a de servir de uma segunda língua para cada povo, respeitando o seu idioma e cultura particular, possibilitando uma relação fraterna e igualitária entre as diferentes etnias, nações ou povos.

Criado pelo médico polonês Lázaro Luís Zamenhof, o esperanto veio a lume em 1887 com o objetivo de sanar as barreiras de comunicação, aproximando as pessoas que, de qualquer parte do mundo, poderiam se relacionar em pé de igualdade, sem a pressão lingüística pela hegemonia econômica. Esse ideal de Zamenhof surgiu logo na infância, pois em sua cidade natal, Bialystok, na Polônia, conviviam russos, alemães, poloneses e judeus, que vivam num conflito constante.

Identificando como principal causa da intolerância entre eles o preconceito aliado ao desconhecimento da cultura do outro, Zamenhof estabeleceu como meta de vida a construção de um idioma que possibilitasse o contato entre pessoas de diferentes nacionalidades em terreno neutro, para que não prevalecessem uns em detrimento de outros.

Mas o seu objetivo final era o estabelecimento de um código de ética internacional, uma espécie de religião natural que denominou homaranismo, pelo qual houvesse o máximo de respeito à cultura alheia. Sempre quando ocorresse uma reunião entre pessoas de diversas nacionalidades, o princípio do homaranismo deveriam ser usados, sendo o instrumento de comunicação entre eles o esperanto.

Com o estabelecimento do movimento esperantista, o ideal do idioma sobrepujou o próprio homaranismo que apesar de um pouco esquecido permanece absolutamente válido. O fundamental é que a religião natural que Zamenhof buscou elaborar estava magistralmente estruturada, graças ao trabalho preciso de Kardec, no espiritismo!

(...)

A seção "Esperanto" do GEAE (autor: Carlos Iglesia)

(GEAE = Grupo de Estudos Avançados Espíritas)

Caros amigos, temos fé que o ideal de Zamenhof, de unir os povos através de uma língua auxiliar neutra, não só é possível, como faz parte do programa de transformação deste nosso mundo. Temos certeza de que o mundo de regeneração, que abrigará nossa humanidade transformada pelas mudanças que estamos presenciando, não poderá prescindir desse instrumento excepcional de comunicação.

Eis porque procuramos levantar o tema no Boletim e porque novamente solicitamos aos colegas de estudo que participem do debate. Enviem-nos textos sobre o esperanto e sobre o espiritismo em esperanto. Troquemos idéias a respeito, procuremos entender melhor essa proposta, lançada pelo D-ro Esperanto há um século, prevista de antemão pelo espírito Erasto em mensagem publicada na Revue Spirite, e que de tal forma se liga a nossos ideais que ficamos a imaginar o que teria ocorrido se Zamenhof tivesse conhecido Kardec. Teria encontrado na Doutrina Espírita a solução que procurava para a religião fraterna, passo seguinte à união dos povos através da língua universal, idéia que batizou de homaranismo?

Amigos, já pararam para pensar o que aconteceria se em cada grupo espírita se formasse um grupo de estudos do esperanto, em todos os cantos do planeta onde a doutrina já conta com adeptos? A facilidade extraordinária que teríamos de nos encontrar em congressos e informações? Que impacto isso teria sobre a divulgação e sobre a imprensa espírita?

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