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Regras gramaticais do esperanto
Gramatikaj reguloj de Esperanto
O esperanto é um idioma tão simples que sua gramática consiste de apenas 16 regras fundamentais
básicas, sem contar vários outros pontos. Junto com a pronúncia e com um
vocabulário básico, elas foram escritas por Zamenhof
em seu primeiro livro de esperanto, publicado em 26 de julho de 1887. Para
melhor entendimento dos leigos em gramática, fiz algumas adaptações nas
explicações das regras, algumas dotadas de exemplos.
Regra 1: Não há
artigos indefinidos (um, uma, uns, umas) em esperanto; só existe o artigo definido la
(o, a, os, as) igual para
todos os sexos, casos e números.
Regra 2: Os substantivos (palavras
que indicam um objeto, um ser, um sentimento etc.) têm a
desinência (terminação) -o. Para a formação do plural, acrescenta-se
a desinência -j. Só há dois casos: nominativo e
acusativo (objeto
direto); forma-se o segundo pelo acréscimo da desinência -n
ao
nominativo. Os outros casos são expressos por meio de preposições: o genitivo
por de (de) o dativo por al
(a, para) o ablativo por per (com, através de, por
meio de) ou outras, de acordo com o sentido.Nota:
Casos são as formas que as palavras assumem de acordo com sua função
em uma frase, ou seja, se declinam. O latim era uma língua de casos, e o português só possui seus
resquícios em alguns pronomes como "me", "mim",
"te" etc. Os casos citados são os seguintes: Nominativo:
quando a palavra indica o sujeito, a pessoa que fez uma ação (ex.: O menino
pegou a lata); Genitivo: quando a palavra indica alguém que possui
alguma coisa (ex.: A lata do menino); Acusativo: quando a palavra
indica o objeto direto, a pessoa que sofreu uma ação, sem o intermédio de uma
preposição (ex.: O menino pegou a lata); Dativo: quando a
palavra indica o objeto indireto, a pessoa para quem foi feita uma ação, com o
intermédio de preposição (ex.: Dei a lata ao menino); Ablativo:
quando a palavra indica o instrumento com que uma ação foi feita (ex.: Peguei
a lata com as mãos).
Regra
3: Os adjetivos (palavras que indicam uma qualidade ou um estado) terminam em -a. Casos e números, como no
substantivo. O comparativo é formado por pli (mais),
malpli
(menos) e o superlativo relativo por plej (o mais), malplej
(o
menos). Com o comparativo usa-se a preposição ol (do que).
Nota: Exemplo do uso do comparativo: "Eu sou mais
forte do que ele, e menos ágil do que ela".
Exemplo do uso do superlativo: "Eu sou o mais forte dos
alunos".
Regra
4: Os numerais básicos são unu, du, tri, kvar, kvin,
ses, sep, ok,
naŭ, dek, cent, mil,
miliono. Formam-se as dezenas (10, 20, 30 etc.) e as centenas (100, 200,
300 etc.) pela
simples junção dos numerais. Para assinalar os números ordinais (primeiro,
segundo etc.),
acrescenta-se a desinência do adjetivo. Para os multiplicativos (duplo, triplo
etc.), o sufixo -obl;
para os fracionários (meio, terço, quarto etc.), -on; para os
coletivos (dupla, trio, quarteto etc.), -op; para os
distributivos, a preposição po. Além disso, podem-se usar os numerais
como substantivos e advérbios (para mais informações sobre os números, ver a
seção "Números").
Nota: Exemplo do uso da preposição po:
Mi donis kvar pomojn al miaj filoj ("Eu dei
quatro maçãs aos meus filhos" - as quatro maçãs foram divididas entre
eles); Mi donis po kvar pomoj al miaj filoj ("Eu
dei à razão de quatro maçãs aos meus filhos" - cada um recebeu
quatro maçãs). Muitas vezes, essa preposição pode ser omitida, se o contexto
permitir uma interpretação sem duplas interpretações.
Regra 5: Pronomes pessoais: mi (eu), ci
(tu; raramente usado),
vi (você, vocês, vós), li
(ele), ŝi (ela), ĝi
(ele/ela, para
coisas), si (pronome reflexivo da 3ª pessoa), ni
(nós), ili (eles/elas), oni
(se, a gente, indeterminado). Formam-se os pronomes possessivos (meu, tua, nosso
etc.) pelo
acréscimo da desinência do adjetivo. A declinação é como a dos
substantivos.
Nota 1: Você pode usar ŝ/li
(pode ser pronunciado "chlí") quando você não sabe o sexo de um ser sexuado ou ele não é especificado.
Nota 2: Para definirmos a pluralidade e a formalidade de vi,
podemos usar palavras aleatórias após o pronome, como sinjoro(j)
(senhor[es]), kara(j)
(caro[s]), amiko(j) (amigo[s]), ĉiuj
(todos) etc. O pronome ci não
faz parte do projeto original, é mais usado em ofensas
ou traduções, principalmente para traduzir o pronome inglês thou.
Nota
3: Exemplo de uso do pronome reflexivo: Li mortigis lin
("Ele o matou" - ele matou uma pessoa que não era ele); Li
mortigis sin ("Ele se matou"). Não precisa ser
usado com outras pessoas, nem é usado quando está no sujeito.
Regra 6: Não se modifica o verbo para indicar pessoas e números.
Formas do verbo: o presente recebe a desinência -as;
o pretérito, -is; o futuro, -os;
o condicional (futuro do pretérito), -us;
o imperativo, -u; o
infinitivo, -i. Particípios (com sentido de
adjetivo ou advérbio): ativo presente, -ant; ativo
pretérito, -int; ativo futuro, -ont;
passivo presente, -at; passivo pretérito, -it;
passivo futuro, -ot. Obtêm-se todas as formas da voz
passiva por meio da forma correspondente do verbo esti
e o particípio passivo do verbo necessário. A preposição da voz passiva é de.
Nota 1: Vamos conjugar um verbo para ficar melhor
entendido. Lavi (lavar); Mi lavas
(eu lavo); Li lavas (tu lavas); Mi
lavis (eu lavei); Ni lavis (nós lavamos); Mi
lavos (eu lavarei); Mi lavus (eu lavaria); Lavu!
(lave!); Lavanta (que lava); Lavinta
(que lavou); Lavonta (que lavará); Lavata
(que é lavado); Lavita (que foi lavado); Lavota
(que será lavado).
Nota 2: Para evitar confusões, de pode ser
substituída por far, far de ou
fare de. Ex.: Lego de libro de
lernanto pode significar "Leitura de um livro de um
aluno" ou "Leitura de um livro por um aluno". Podemos
resolver o problema atribuindo Lego de libro fare de
lernanto, por exemplo, à segunda idéia.
Regra 7: Os advérbios (palavras que indicam o modo como é feita uma
ação) derivados são terminados em -e.
Graus de comparação são como nos adjetivos.
Regra 8: Todas as preposições regem, por si mesmas, o nominativo; ou
seja, a palavra declinável que se segue após uma preposição deve sempre
estar no nominativo, e nunca no acusativo.
Regra 9: Lê-se cada palavra conforme está escrita; ou seja, o
alfabeto é fonético, como já foi informado na página "Pronúncia".
Regra 10: O acento tônico recai sempre sobre a penúltima sílaba,
como também já foi informado na página "Pronúncia".
Regra 11: Formam-se as palavras compostas pela simples junção de
outras palavras (a
principal fica no fim). As desinências gramaticais são consideradas também
como palavras independentes.
Nota 1: Exemplo de palavra composta: fero
(ferro) + boato (bote) = ferboato
(bote de ferro); boato
+ fero = boatfero
(ferro para botes).
Nota 2: Uma desinência gramatical, nesse caso, é um elemento que traz uma
nova idéia à palavra, e ela pode ser usada para expressar a idéia por si só.
Ex.: O sufixo -il- é usado para indicar instrumento
(pafi: atirar; pafilo:
pistola, revólver) e, por isso, com o final "-o",
podemos formar ilo, significando
"instrumento"
Regra 12: Junto de outra palavra negativa omite-se o vocábulo
ne. Ex.: Mi havas nenion ("Eu não tenho nada" -
literalmente "Eu tenho nada").
Regra 13: Para mostrar direção (alvo de movimento), as palavras
recebem a desinência do acusativo. Ex.: Mi kuras en la domo
(Eu corro dentro da casa) é diferente de Mi kuras en la domon
(Eu corro para dentro da casa)
Regra 14: Cada preposição tem sentido determinado e constante. Mas
se devemos usar alguma e o sentido não nos indica qual, então empregamos a
preposição je, que não tem sentido próprio. Em
lugar da preposição je, pode-se usar também o acusativo sem preposição.Nota: A preposição je
comumente marca o ponto e o conteúdo presente em algum acontecimento, como um
ponto no tempo, como ekiro je la dua horo (partida às 2 horas), ponto de contato,
como tuŝi
lin je la mano (tocá-lo na mão) ou o conteúdo de alguma coisa: rajto je venĝo
(direito à vingança), riĉa je vitamino (rico em vitaminas),
graveda je
filo (grávida de um filho), gajni je unu kapo (ganhar por 1 cabeça),
malsana
je la brusto (doente do peito), je du fingroj pli alta (2 dedos mais alto),
kredi je Dio (crer em Deus), senigi je filo (privar
de um filho), plenigi je sablo (encher de areia; mas,
dado o costume, temos plena de sablo = cheio de
areia, e pleniĝi de sablo = encher-se de areia).
Regra
15: Os chamados ESTRANGEIRISMOS, isto é, os vocábulos que a maioria das
línguas tomou de uma só fonte, são usados no esperanto, sem alteração,
recebendo apenas a ortografia desta língua. Mas com diversas palavras derivadas
de uma só fonte (raiz), é melhor usar apenas o vocábulo fundamental e formar
os outros a partir do último, conforme as regras do esperanto; ex.: Azio
(Ásia) => azia (asiático, relativo
à Ásia), aziano (um asiático, um natural da
Ásia) etc.
Regra 16:
A vogal final do substantivo e artigo podem ser elididas e, na escrita,
substituídas por um apóstrofo.
Nota: Esse recurso é muito utilizado em prosa
estilística e poesia, mas desde que a pronuncia não se torne difícil ou gere
dupla interpretação. Ex.: Tra la arbaro pode ser
escrito Tra l' arbar' e dito "Trá larbár",
ou seja, no caso da elisão do substantivo, a sílaba tônica permanece a mesma
da palavra original, tornando-se agora a última.
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