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O polonês, a língua de Zamenhof
La pola, la lingvo de Zamenhof

http://www.esperanto.be/fel/2002/007888.html
Autor / Aŭtoro: Bradley Kendal
Versão em português / Portugallingva versio: Erick Fiszuk (Eriko Fiŝuk)

O polonês foi a língua materna do criador do esperanto 1, portanto é interessante comparar as duas línguas. Zamenhof mostrou-se notavelmente imune à influência do polonês, em comparação com outros criadores de idiomas. Segundo a lenda, a única palavra polonesa à qual Zamenhof não pôde resistir de admitir no esperanto foi a apreciada kolbaso 2; esta, todavia, parece um pouco mais próxima à sua parente russa kolbasa do que à polonesa kiełbasa. Contudo, existem outras palavras derivadas do polonês: ĉu 3, sem dúvida, é derivada do polonês czy [tchi].

Um alfabeto falsamente amedrontador

O polonês é uma língua eslava ocidental. Ele escreve-se com o alfabeto latino, mas precisa de muitos sinais extras e dígrafos, o que pode dar uma idéia mais amedrontadora sobre a pronúncia do que a realidade. De fato, a escrita é muito fonética. Porém, algumas palavras permanecem dificilmente pronunciáveis – por exemplo, mgła [mguá] (névoa), mężczyzna [menjtchizna] (homem) ou a cidade de Bydgoszcz [bidgochtch]. Eis um famoso trava-língua: W Szczebrzeszynie chrząszcz brzmi w trzcinie [vchtchebjechínie rrjónchtch bjmí vtjínie] (Em Szczebrzeszyn [nome de uma cidade] o escaravelho zumbe na cana). Como no russo, quase todas as consoantes podem ser "brandas" ou "duras". A "brandura" é indicada ora por um acento agudo sobre a consoante, ora (antes de uma vogal) por um i intercalar. A tonicidade encontra-se com mais freqüência na penúltima sílaba.

Uma coincidência – e um contraste – interessante em relação ao italiano é que a palavra polonesa para "norte" é północ [púlnots] (literalmente, "metade da noite"); o nome para a região sul, na Itália, é mezzogiorno, que também significa "meio-dia"! Os nomes dos meses, de uma forma inusual para uma língua européia, não são latinos, mas tradicionalmente eslavos (e. g. "outubro", październik, enquanto os equivalentes russos são muito reconhecíveis: oktiabr).

Uma gramática realmente amedrontadora

Existem os mesmos três gêneros do russo. Substantivos neutros freqüentemente terminam em -o; possivelmente, esta pareceu a Zamenhof a terminação mais neutra para os substantivos do esperanto 4. Muitos substantivos femininos terminam em -a, como em tantas línguas indo-européias. Não existem artigos. Há sete casos: nominativo, acusativo, genitivo, dativo, instrumental e locativo, mais o vocativo (em desaparecimento).

Similarmente ao esperanto, e desnecessariamente conforme alguns, os adjetivos concordam em número e caso, e também em gênero; e, embora eles usualmente antecedam os substantivos aos quais se referem *, a ordem das palavras é bastante livre. Os numerais poloneses declinam (mudam de forma conforme o modo que se os usam). Para a criação de advérbios, troca-se a terminação masculina pela neutra -o (ou -e, conforme a palavra).

A ordem das palavras é usualmente sujeito-verbo-complemento, mas, como em esperanto, é facilmente modificável.

Uma coisa um pouco difícil no polonês é que os pronomes "eles" ou "elas" podem ser traduzidos por oni se se trata de um conjunto de homens, ou de homens e mulheres, enquanto se traduzem por one se se trata de um conjunto de mulheres ou de animais e coisas dos três gêneros. Diferentemente do russo, podem-se omitir os pronomes, pois todas as terminações pessoais dos verbos são diferentes, inclusive no pretérito.

Existem, como no russo, dois verbos equivalentes a "ir", um para ida a pé e outro, por um meio de transporte, e que, por sua vez, dividem-se em dois verbos para uma ida usual ou específica. Similarmente, os prefixos verbais são abundantes. Diferentemente do russo, o polonês usa palavras para os verbos "ser" (być) e "ter" (mieć) no presente. Os verbos possuem dois aspectos, como em outras línguas eslavas, para diferenciar ações acabadas e inacabadas (além dos usos extras). O conceito de aspecto, que é diferente do de tempo verbal (embora ele se entrelaçe com este no uso cotidiano), possivelmente existe em todas as línguas, embora nem todas explicitamente o assinalem. É interessante que Zamenhof, conhecendo várias línguas que indicam o aspecto dos verbos, escolheu não indicá-lo em esperanto. Isso causou problemas junto aos particípios – eles mostravam somente os três tempos verbais (-ita, -ata, -ota 5) ou a completação em contraste com a incompletação? Por fim, resolveu-se o problema pelo reconhecimento de que o conceito de aspecto existe, de fato, também no esperanto.

O polonês é uma língua que soa muito docemente, mas sua complicada gramática surpreenderia falantes de línguas como o chinês e o tailandês!

Nota do redator:
* Palavra dependente ou regida, ou o regimen anglo-latino, ou complemento.

Notas do tradutor:
1 Algumas fontes como a Wikipédia em esperanto, porém, baseando-se nas falas do próprio Zamenhof, admitem o russo como sua língua materna (sua cidade natal, Bialystok, hoje polonesa, fazia então parte do Império Russo), enquanto o polonês teria sido mais falado por ele na idade adulta. Ver também
dois textos traduzidos por mim para o português que informam sobre as origens do esperanto e os conhecimentos lingüísticos de Zamenhof.
2 Kolbaso, em esperanto, significa "lingüiça", "chouriço", "salsichão", ou ainda "rastilho de mina", "banana de dinamite".
3 Partícula que introduz orações interrogativas, semelhante ao verbo inglês to do em frases como Do you speak English? ou à partícula interrogativa ka do japonês.
4 Em esperanto, os substantivos comuns não possuem gênero e, independentemente do que indicam, terminam sempre em -o: patro (pai), filino (filha), sukero (açúcar) etc.
5 Estas são as terminações do particípio passivo em esperanto, respectivamente nos tempos passado, presente e futuro. Eis um exemplo de seu uso: fari (fazer) --> farita (feito, que já está ou foi feito), farata (que está sendo feito), farota (que será feito).


La pola estis la gepatra lingvo de la kreinto de Esperanto, do estas interese kompari la du lingvojn. Zamenhof montriĝas rimarkinde malinfluita de la pola, kompare kun aliaj lingvokreintoj. Laŭ legendo, la unusola vorto kiun Zamenhof ne povas rezisti enpreni al Esperanto el la pola estas la ŝatata "kolbaso"; tiu ĉi tamen aspektas iom pli proksima al sia rusa parenco kolbasa ol al la pola kiełbasa. Tamen ekzistas aliaj elpolaj vortoj: "ĉu" sendube venas de la pola czy [ĉi].

Malvere timiga alfabeto

La pola estas okcidentslava lingvo. Ĝi skribiĝas per la romia alfabeto, sed bezonas multajn kromsignojn kaj digramojn, do povas doni pli timigan ideon pri la prononco ol la vero. Fakte ĝi skribiĝas tre foneme. Tamen iuj vortoj restas malfacile prononceblaj – ekzemple mgła [mgŭa] (nebulo), mężczyzna [menĵĉizna] (viro) aŭ la urbo Bydgoszcz [bidgoŝĉ]. Fama langotordilo estas W Szczebrzeszynie chrząszcz brzmi w trzcinie [vŝĉebĵeŝinie ĥĵonŝĉ bĵmi vtĵinie] (En [la urbo] Szczebrzeszyn la skarabo zumas en la kano). Kiel en la rusa, preskaŭ ĉiuj konsonantoj povas esti "molaj" aŭ "malmolaj". "Molecon" indikas foje dekstrakorna supersigno super la konsonanto, foje (antaŭ vokalo) intermetita i. La akcento troviĝas plej ofte ĉe la antaŭlasta silabo.

Interesa koincido – kaj kontrasto – komune kun la itala estas ke la pola vorto por "nordo" estas północ [puŭnoc] (laŭvorte, "duono de la nokto"); la nomo por la sudo en Italio estas mezzogiorno, kiu ankaŭ signifas "tagmezo"! La nomoj de la monatoj, malkutime por eŭropa lingvo, ne estas romiaj, sed tradicie slavaj (ekz. oktobro październik, dum tiuj de la rusa estas tre rekoneblaj: oktjabrj.

Fakte timiga gramatiko

Ekzistas la samaj tri genroj kiel en la rusa. Neŭtraj substantivoj ofte finiĝas per -o; eble tiu ŝajnis al Zamenhof la plej neŭtra finaĵo por Esperantaj substantivoj. Multaj ingenraj substantivoj finiĝas per -a, kiel en tiom da aliaj hindeŭropaj lingvoj. Ne ekzistas artikoloj. Estas sep kazoj: nominativo, akuzativo, genitivo, dativo, instrumentalo kaj lokativo, kaj vokativo (malaperanta).

Simile al Esperanto, kaj malnecese laŭ iuj, la adjektivoj akordiĝas laŭ nombro kaj kazo, kaj ankaŭ laŭ genro; kaj kvankam ili kutime antaŭas siajn substantivojn 1, la vortordo estas sufiĉe libera. La polaj numeraloj deklinaciiĝas (ŝanĝas siajn formojn laŭ uzmaniero). Por krei adverbojn, oni ŝanĝas la virgenran finaĵon al la neŭtra -o (aŭ -e, laŭ la vorto).

La vortordo kutime estas subjekto-verbo-komplemento, sed kiel en Esperanto estas facile ŝanĝebla.

Io iomete malfacila en la pola estas ke "ili" povas tradukiĝi per oni se temas pri aro da viroj, aŭ da viroj kaj virinoj; dum per one se temas pri aro da virinoj, aŭ de bestoj kaj aĵoj el ĉiuj tri genroj. Malsame al la rusa, pronomojn oni povas ellasi, ĉar ĉiuj personaj finaĵoj por la verboj malsamas, inkluzive en la preterito.

Ekzistas kiel en la rusa du verboj por "iri", por irado pieda aŭ transporta, kiuj siavice dividiĝas en du verbojn por irado kutima aŭ specifa. Simile, abundas verbaj prefiksoj. Malsame al ĝi, la pola uzas vortojn por "esti" (być) kaj "havi" (mieć) en la prezenco. Verboj havas du aspektojn, kiel aliaj slavaj lingvoj, por apartigi inter finita kaj nefinita agado (plus kromuzoj). La koncepto de aspekto, kio malsamas al tiu de verbotempo (kvankam ĝi interplektiĝas kun tiu en ĉiutaga uzado), eble ekzistas en ĉiuj lingvoj, kvankam ne ĉiuj maldiskrete markas ĝin. Estas interese ke Zamenhof, konante plurajn aspektindikajn lingvojn, elektis ne indiki ĝin en Esperanto. Tio kaŭzis problemojn ĉe la participoj – ĉu ili montris nur la tri verbotempojn (-ita, -ata, -ota) aŭ ĉu kompletiĝon kontraŭ malkompletiĝo? Fine oni solvis la problemon agnoskante ke la koncepto de aspekto ja ekzistas ankaŭ en Esperanto.

La pola estas tre dolĉsona lingvo, sed ĝia komplika gramatiko mirigus parolantojn de lingvoj kiel la ĉina kaj taja!

1 Noto de la redaktoro: Dependa aŭ regata vorto aŭ latin-angle regimen aŭ komplemento.

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