Zamenhof escreveu muitos poemas falando sobre suas idéias, sua história, seus sofrimentos etc. Esta seção serve para que você, falante do esperanto iniciante, conheça um pouco do que Zamenhof chamou de interna ideo ("idéia interna" - descrita por ele como um sentimento de fraternidade e paz gerado entre aqueles que falam esperanto e querem usar esse idioma para isso) do esperanto e conheça um pouco de sua obra.
Este poema é considerado o "hino" do esperanto. Muitos até hoje criticam que o esperanto, por ser um idioma internacional, não pode ter elementos de caráter nacional ou político, como muitos símbolos, bandeira, hino, "culto" a Zamenhof etc.
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En la mondon venis nova sento, Ne
al glavo sangon soifanta Sub
la sankta signo de l' Espero Forte
staras muroj de miljaroj Sur
neŭtrala lingva fundamento, Nia
diligenta kolegaro |
Ao mundo veio um sentimento novo, Não à espada sedenta de sangue Sob o santo signo da Esperança Fortemente se erguem muros de milênios Sob fundamento lingüístico neutro, Nosso diligente grupo de colegas |
Walter Francini, em seu livro "Doutor Esperanto", chama este poema de "prece universalista", pois ele mostra claramente os preceitos do homaranismo, que é uma filosofia neutra e humanista criada por Zamenhof no início do século XX. Ele foi proclamado pela primeira vez em 1905, na França, no 1.º Congresso Universal de Esperanto.
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Al Vi, ho potenca senkorpa mistero, Al
Vi ni ne venas kun credo nacia, Homaron
Vi kreis perfekte kaj bele, Ni
ĵuris labori, ni ĵuris batali, La
verdan standardon tre alte ni tenas; Kuniĝu la fratoj, plektiĝu la manoj, |
A vós, ó mistério sem corpo e potente, A vós nós não vimos com credo nacional, Criastes a humanidade bela e perfeitamente, Juramos trabalhar, juramos batalhar, Sustentamos bem alto o estandarte verde; Unam-se os irmãos,
entrelacem-se as mãos, |
Outro poema muito famoso de Zamenhof, é considerado uma obra-prima do esperanto. Foi escrita por volta de 1887, após Zamenhof conseguir um editor para seu primeiro livro de esperanto, quando ainda precisava vencer a censura do Império Russo para divulgá-lo. Emocionado e ao mesmo tempo temeroso, ele escreve:
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Ho,
mia kor', ne batu maltrankvile, Ho, mia kor'! Post longa
laborado |
Ó, meu coração, não bata inquieto, Não salte agora fora do meu peito! Já não posso me conter facilmente, Ó, meu coração! Ó,
meu coração! Após longo trabalho, |
Após seu pai destruir todo o material sobre o primeiro projeto de idioma internacional que criou, Zamenhof, ainda abatido, tenta reconstruir seu idioma. Esse trabalho de reconstrução tirou muitas de suas horas felizes e, nessa luta, escreveu:
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Sur la kampo, for de l' mondo Ĉu vi dormas? Ho sinjoro, Mia penso kaj turmento, Fajron sentas mi interne |
Sobre o campo, longe do mundo Diante de uma noite de verão, Uma amiga na roda Canta um canto sobre a esperança. E sobre uma vida destruída Ela canta lastimando, — Minha ferida contra-golpeada Me dói ressangrando. Você dorme? Ó, senhor, Meu pensamento e tormento, Sinto um fogo por dentro, |
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Forte ni staru, fratoj amataj, Regas ankoraŭ nokto sen
luno, Veku, ho veku, veku konstante, Dekon da fojoj vane perdiĝos Tre malproksime ĉiuj ni staras Vi en la urbo, vi en urbeto, Ĉu vi sukcese en via loko Iras senhalte via laboro Forte ni staru, brave laboru, Ni ĝin kondukos ne
ripozante, Malfacileco, malrapideco Staras ankoraŭ en la
komenco Ni ĝin atingos per la potenco Glora la celo, sankta l'
afero, Tiam atendas nin rekompenco |
Estejamos em pé fortemente, irmãos amados, Rege ainda uma noite sem lua, Acorde, ó acorde, acorde constantemente, Dezenas de vezes em vão se perderão Muito distante todos nós permanecemos Você na cidade, você numa vila, Vocês com sucesso em seu lugar Seu trabalho vai sem parar Estejamos em pé fortemente, trabalhemos bravamente, Nós a conduziremos sem repousar, Dificuldade, "lerdeza" Ainda está de pé no começo Nós o atingiremos pela potência O céu glorioso, a santa causa, Então a recompensa nos espera |
| Pluvas kaj pluvas kaj pluvas kaj pluvas
Senĉese, senfine, senhalte, El ĉiel' al la ter', el ĉiel' al la ter' Are gutoj frapiĝas resalte. Tra la sonoj de l' pluvo al mia orelo
Kvazaŭ ia sopir' en la voĉo kaŝiĝas
Ĉu la nuboj pasintaj, jam ofte viditaj,
Mi ne volas esplori la senton misteran,
| Chove, e chove, e chove, e chove
Sem cessar, infinitamente, sem parar, Do céu à terra, do céu à terra Gotas em conjunto batem-se ricocheteando. Nos meus ouvidos, pelos sons da chuva,
Como uma espécie de suspiro, na voz se esconde
As nuvens que passaram, já vistas tantas vezes,
Não quero explorar o sentimento misterioso,
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| En bona hor'! Ni aŭdis la signalon
Kaj bataleme saltas nia koro. Konduku nin, komencu la batalon Sub bona stelo, en feliĉa horo! Amikoj de proksime, malproksime,
Ne tre facila estas nia vojo
For estas jam la baroj de l' komenco,
| Em boa hora! Ouvimos o anúncio
E nosso coração salta em espírito de batalha. Conduza-nos, inicie a batalha Sob uma boa estrela, em uma hora feliz! Amigos de perto, de longe,
Nosso caminho não é tão fácil
As barreiras do começo já estão longe,
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