A democracia é o regime político que se funda na soberania popular, de modo que os cidadãos têm o poder de escolher seus líderes governamentais, a fim de que estes satisfaçam os anseios da sociedade. Sabe-se, entretanto, que tal objetivo não é plenamente concretizado. Em verdade, o regime democrático mostra-se contraditório e ineficiente ao se sujeitar, não às aspirações do povo, mas ao poder já consolidado das classes dominantes.
O que se verifica, de fato - especialmente no Brasil - é que não importa qual partido governe o país, inevitavelmente estaremos subjugados ao poder econômico exercido pelas classes dominantes. Isto é, ao eleger um governo, o eleitorado acredita estar alterando a política e os rumos da nação. Contudo, o que se nota é que a estrutura econômica se mantém a mesma. Permanecem a exploração do trabalhador, a concentração de capital e o crescimento da desigualdade social. Em outras palavras: os governos que elegemos não passam de correias de transmissão das decisões e das necessidades do poder econômico.
Uma análise da história brasileira comprova tal tese. Durante a Monarquia, o poder do capital implantou o voto censitário, a fim de consolidar-se no poder. Ao se instaurar a República, vigorava então o "voto de cabresto", no qual a aristocracia endinheirada manipulava a população para assegurar seus privilégios. E tal dominação se perpetua até hoje, embora de forma menos explícita e intensa.
Acredita-se, por exemplo, que na democracia pratica-se o direito ao livre-pensamento e ao protesto. Sim, é verdade. Porém, qual a parcela da população que realmente contesta o sistema no qual vive? Quantos exercem o pensamento crítico e questionam o poder? Pouquíssimos. E isso acontece porque o mesmo poder econômico estimula a ignorância da população, já que assim poderá explorá-la ainda mais. Tal empobrecimento intelectual ocorre através de mecanismos como uma mídia (em especial a TV) que estupidifica a população, bem como um sistema educacional que não estimula o pensar - ambos, de certa forma, influenciados pelo poder do grande capital.
Outro exemplo de manipulação se dá no período de eleições, quando é notória a quantidade de programas políticos maquiados por experientes marketeiros. Percebe-se que as verdadeiras intenções dos políticos são dissimuladas, visando ludibriar novamente a população. Vence o candidato que tiver o melhor publicitário.
É até possível que um governo tenha propostas para melhorar a condição de vida da população, distribuir melhor a renda e gerar desenvolvimento. Entretanto, ainda assim, não será capaz de eliminar o poder monetário, já que este está absolutamente bem alicerçado na sociedade, pois controla até mesmo o poder político.
Sendo assim, como mudar este cenário de sujeição da democracia ao capital? Uma revolução social, talvez? É improvável, lamentavelmente. As ações sociais não são coesas o suficiente, nem tem propostas sólidas para reverter tal situação, visto ainda são incipientes e frágeis demais para este adversário. Ao que parece, tal panorama não se modificará tão cedo.
Fakte, kion oni rimarkas - ĉefe en Brazilo - estas tio, ke kiu ajn partio regu nian landon, ni neeviteble estos subjugitaj al la ekonomia povo praktikata de la superregantaj klasoj. Tio estas, kiam oni elektas registaron, la voĉdonantaro kredas, ke ĝi estas ŝanĝanta la politikon kaj la vojojn de la nacio. Tamen, kion oni rimarkas estas tio, ke ekonomia strukturo daŭriĝas same. Restas la ekspluato de la laboranto, la kapitala samcentrigo kaj la kresko de la socia malegalo. Alivorte: la registaroj, kiujn ni elektas ne estas pli ol rimenoj, kiuj transsendas la decidojn kaj la bezonojn de la ekonomia povo.
Analizo de la brazila historio pravigas tian tezon. Dum la Monarkia periodo, la povo de la kapitalo realigis la "censan voĉdonon" por plifirmiĝi en la regado. Post la instalado de la Respubliko, tiam validis la "kolbrida voĉdono", per kiu la monplena aristokrataro manipulis la popolon por asekuri siajn privilegiojn. Kaj tia superregado daŭras ĝis nuntempe, tamen malpli eksplicite kaj intense.
Oni kredas, ekzemple, ke en la demokratio oni praktikas la rajton al la libera penso kaj la protesto. Jes, estas vere. Tamen, kiu estas la parto de la popolo, kiu vere kontestas la sistemon, en kiu oni vivas? Kiom da homoj praktikas la kritikan penson kaj demandas pri la registaro? Malmultegaj. Kaj tio okazas ĉar la sama ekonomia povo stimulas la neklerecon de la popolo pro tio, ke tiel oni povos ekspluati ĝin pli. Tia intelekta malriĉiĝado okazas per mekanismoj kiel amaskomunikilaro (ĉefe la televidilo), kiu stultigas la popolon, same kiel edukiga sistemo, kiu ne stimulas la pensadon - ambaŭ iel influitaj de la povo de la granda kapitalo.
Alia ekzemplo de manipulado okazas en la periodo de la balotadoj, kiam estas rimarkinda la kvanto da politikaj televid-programoj "ŝminkitaj" de spertaj propagandistoj. Oni rimarkas, ke la veraj intencoj de la politikistoj estas kaŝemaj, celantaj denove mistifiki la popolon. Venkas la kandidato, kiu havas la plej bonan propagandiston.
Eĉ estas eble, ke registaro havas proponojn por plibonigi la vivkondiĉon de la popolo, plej bone disdoni la nacian rentumon kaj naski disvolviĝon. Tamen, ankoraŭ tiel, ĝi ne estos kapabla forigi la monan povon pro tio, ke ĉi tiu estas absolute bone fundamentita en la socio, ĉar ĝi eĉ kontrolas la politikan povon.
Tiel, kiel ŝanĝi ĉi tiun scenejon de subiĝo de la demokratio sub la kapitalo? Ĉu socia revolucio, verŝajne? Bedaŭrinde, estas nekredeble. La sociaj agadoj ne estas sufiĉe kunligitaj nek havas fortikajn proponojn por ŝanĝi tian situacion, ankoraŭ videble, ke ili estas tre komenciĝantaj kaj malfortaj por ĉi tiu malamiko. Laŭŝajne, tia vidaĵo ne ŝanĝiĝos tre frue.