
Lázaro Luís Zamenhof, o criador do esperanto e do homaranismo
Esta página tem o objetivo de esclarecer a você algumas idéias expressas em vários meios de comunicação acerca do esperanto, sua história e seus usos, que nem sempre são verdadeiras. Devido às pessoas que adotaram e a algumas obras deixadas por Lázaro Luís Zamenhof, é comum que muitas pessoas associem o esperanto à idéia de religião ou de ideal. Parte dessas associações possui algum fundamento, mas várias correlações não possuem o menor cabimento. Cito o caso de um ex-esperantista que resolveu criar seu próprio projeto de idioma internacional e, em uma página onde ele compara seu idioma com o esperanto, escreve que, enquanto a criação de Zamenhof possui focos difusos, com ideal e religião, seu próprio idioma possui como único foco a solução prática; com certeza faltou a este homem refletir um pouco mais sobre o caminho que o esperanto percorreu para chegar até os nossos dias.
Sem misticismo, poesia, romantismo ou idealismo excessivo, procurarei explicar com os conhecimentos que adquiri por que normalmente se pensa que o esperanto é um ideal ou o idioma de uma filosofa ou religião.
Acredito que há dois motivos principais para que se façam tais associações:
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Daquela velha idéia de sua infância, vemos a nossa conhecida frase: "A diversidade de línguas é a única, ou ao menos a principal causa da dispersão da família humana e de sua divisão em partes inimigas", expressa em uma carta escrita em russo a um conhecido, onde ele conta vários detalhes de sua vida e da criação do esperanto. Daí, surgiu o que se chamou de "idéia interna" do esperanto ou "esperantismo". Segundo Zamenhof, "a essência do esperanto é a plena neutralidade e a idéia do esperantismo apresenta somente um sentimento de fraternidade indefinido e uma esperança que são naturalmente geradas pelo constante encontro sobre um fundamento lingüístico neutro e que todo esperantista tem o pleno direito não só de comentar a si tal como ele queira, mas até de geralmente aceitá-lo ou não". Por isso, temos aqui uma prova da conceituação de Zamenhof de um idioma internacional como auxiliar nos processos de paz por ajudar reunir as culturas em uma base neutra: uma idéia naturalíssima que já expressei na página "O que é e para que serve o esperanto", e que, como disse Zamenhof, pode ser aceita ou não. Por isso muitos chamam o esperanto de "língua da paz".
A declaração ainda expressa como um idioma internacional é fundamental na concretização dos ideais do homaranismo, por este ser um programa cultural de bases neutras, mas, para mostrar como o esperanto não tem nenhuma ligação estrutural com o homaranismo, Zamenhof escreveu no 9.º dogma: "Os novos homaranistas, que não possuem ainda a 'língua dos homaranos', podem em um primeiro tempo usar nas reuniões a língua que eles quiserem (...). Como atualmente só existe uma língua neutra, chamada 'esperanto', os homaranistas justamente a aceitam; todavia, eles reservam a si o direito de substitui-la algum tempo depois por outra língua, se isto se mostrar útil". Conclusão: quem fala esperanto não precisa seguir os princípios do homaranismo, e quem possui as mesmas idéias filosóficas de Zamenhof não é obrigado a falar esperanto.
Um bom livro para que você possa conhecer mais sobre as idéias de Zamenhof e de seu homaranismo é "Homaranismo; a idéia interna", do espírita Délio Pereira de Souza, (Rio de Janeiro: Spirita Eldona Societo F. V. Lorenz, 1992). Apesar de ser o melhor comentário contemporâneo sobre o homaranismo na visão do espiritismo, o autor mistura os conceitos de "idéia interna" e homaranismo, a começar pelo título do livro. Ele ainda escreve na página inicial: "Despretensioso comentário à idéia interna do esperanto, segundo seu criador, Dr. Lázaro Luís Zamenhof". É claro que o criador do esperanto deu total permissão para que cada um interprete a "idéia interna" tal com queira, mas o livro inteiro praticamente só fala das concepções filosóficas de Zamenhof concernentes ao homaranismo, enquanto a "idéia interna" é algo relacionado à língua esperanto. Apesar disso, não deixe de ler esta genial obra, que apresenta uma alternativa para este mundo tão conturbado.
Como sabemos, os espíritas têm um ideal, e, para eles, para concretizar esse ideal, o esperanto seria uma ferramenta muito eficaz, pois sua neutralidade pode fazer com que ele colabore, ainda que com pouca intensidade, no processo de paz mundial. A idéia é parecida com a do homaranismo: tem-se uma idéia e um idioma que ajudará na concretização desse ideal. Devido a essa estreita relação entre o esperanto e os ideais pacifistas, muitos acabam confundindo as coisas e pensando que o esperanto é um sistema filosófico. Ora, lemos que Zamenhof já separava o esperanto do homaranismo e disse que os homaranistas podem usar qualquer idioma; assim, provamos que o esperanto não tem o rígido caráter doutrinário ou filosófico, mas é apenas um instrumento destinado a essas e a outras realizações, de acordo com o desejo do falante, seja na religião, no turismo, na diplomacia etc. Uma famosa frase diz que "o esperanto não é de ninguém, mas de todos", ou seja, ninguém possui propriedades exclusivas sobre o idioma, com relação a alterações, vendas de materiais etc., mas ao mesmo tempo todos têm o direito de aprender e colaborar para o crescimento do esperanto; por isso, não se pode dizer que o esperanto é "língua dos espíritas", mas, se me permitem, que os espíritas são do esperanto, assim como todos aqueles que se dedicam a trabalhar por ele.
Alguns endereços bons na internet falam melhor sobre essa relação do esperanto com o espiritismo, entre eles uma seção sobre espiritismo de um site esperantista, o site da AEDE - Aliança Espírita para a Difusão do Esperanto e os textos "O Esperanto não é uma religião? Ah, isso é língua de espírita...", do site do Centro Cultural de Esperanto (Campinas - SP), e "O espiritismo e o esperanto", de Carlos Iglesia. Leia ainda dois textos ótimos tirados de um site espírita, que contam um pouco mais sobre a relação do espiritismo com o esperanto e o homaranismo.
Quem fala esperanto deseja ver a humanidade mais unida, sejam quais forem suas características pessoais, não se degladiando por motivos fúteis, mas promovendo um grande intercâmbio cultural através de bases lingüísticas neutras! O mundo atual precisa de uma ponte que una a todos com justiça, e o esperanto é um grande auxiliar nesse objetivo. Sua grande mobilidade faz com que qualquer setor seja beneficiado em seu uso: a diplomacia, a cultura, o turismo, a amizade, a religião, a economia e qualquer outro, sendo o idioma independente de qualquer filosofia ou sistema filosófico: separar o esperanto dos idealismos de Zamenhof, mas compreender sua utilidade para eles e para qualquer outra causa honesta é compreender como o mundo possui um grande instrumento para o progresso, mas está dando pouco valor para ele, ou está usando-o de forma errada.
Mais informações na página Perguntas e respostas sobre o esperanto.